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  • dragisele

Você sabe de onde vem aquele desejo incontrolável de comer?


Para entender de onde vêm os desejos, primeiro temos que entender o que eles são. Então, vamos lá: um craving (desejo) por comida é um estado de motivação alimentar elevada direcionado a um alimento específico.


Não é o mesmo que fome, que é uma motivação inespecífica para alimentos calóricos em geral. Fome e desejo são motivações distintas que surgem de diferentes circuitos cerebrais em resposta a estímulos específicos.

Quando um dos comportamentos atinge um objetivo predefinido, o cérebro libera dopamina em áreas específicas, fazendo com que você se torne mais propenso a executar os mesmos comportamentos na próxima vez que se encontrar na mesma situação.

“Mas doutora, o que isso quer dizer?”

Que o seu comportamento foi reforçado. O que você experimenta é que as pistas sensoriais da situação, como sua aparência, cheiros, sons, sabores e localização, tornam-se gatilhos motivacionais que despertam o seu desejo de repetir um comportamento anterior. E quanto maior o pico de dopamina, mais motivado você ficará na próxima vez que encontrar essas pistas.

Estudos realizados em ratos pelo neurocientista americano Anthony Sclafani, mostram que sensores na boca e no intestino delgado são capazes de detectar glicose, frutose, ácidos graxos e aminoácidos no amido, açúcar, gordura e proteína e enviar um sinal ao cérebro, que libera dopamina. E quanto mais concentrados forem os nutrientes, maior será o aumento da dopamina. A pesquisa mostrou que o mesmo processo acontece com os humanos.

Isso quer dizer que o cérebro não está simplesmente programado para responder aos alimentos em geral - ele está programado para ser motivado por propriedades específicas dos alimentos e, quanto mais concentrados, maior é o nível de motivação. Os impulsos instintivos evoluíram para guiar nossos antepassados distantes aos alimentos que os mantinham vivos em um ambiente desafiador. Isso funcionava bem quando alimentos altamente calóricos eram difíceis de serem encontrados e exigiam muito esforço para obtê-los, mas essa não é a realidade em que vivemos hoje, não é mesmo?

No mundo contemporâneo, ainda identificamos os impulsos instintivos, mas as propriedades alimentares que esses impulsos nos fazem desejar são muito mais abundantes e fáceis de se obter. Devemos inclusive controlar os nossos hábitos e instintos.

Vamos ao exemplo do chocolate: ele é o alimento mais procurado pelas mulheres e também é um desejo comum entre os homens. Do ponto de vista do cérebro, isso é até fácil de entender. O chocolate não é apenas uma fonte rica em gordura e açúcar, mas também tem a chamada teobromina. Como sua prima, a cafeína, a teobromina é um estimulante leve que atua nas mesmas vias cerebrais da dopamina. Esta substância acentua a capacidade natural da gordura e do açúcar de aumentar a sinalização de dopamina, o que em muitas pessoas resulta em desejos poderosos e, em algumas, um comportamento semelhante ao vício.

Compreender os desejos nos permite controlá-los de maneira mais eficaz. Como os desejos são movidos por orientações sensoriais relacionadas à comida, como a visão e o cheiro de alimentos, a maneira mais concreta de vencê-los é evitar se expor a esses sinais. Se alimentos irresistíveis e não saudáveis ​​não estiverem disponíveis em seu ambiente pessoal, não só será mais difícil de você comê-los, como provavelmente você deixe de desejá-los gradativamente.


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