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Pandemia mudou hábitos alimentares dos brasileiros


A pandemia mudou hábitos e rotinas em todo o mundo. O isolamento social, o home office, as crianças sem aula. Foram muitos os fatores que influenciaram diretamente na nossa vida. Mas, você sabia que este momento pelo qual estamos passamos mexeu também com a forma como nos alimentamos? Isso mesmo, a pandemia mudou os hábitos alimentares dos brasileiros.

Para muita gente, mais tempo em casa significou mais tempo para explorar novas atividades. Teve quem decidiu aprender (ou se dedicar mais) a cozinhar, transformando a alimentação em um momento de prazer e investiu em receitas mais saudáveis. Há ainda quem aproveitou este momento em casa para se esbaldar e se alimentar de forma ainda mais incorreta, com refeições fora de hora e nada saudáveis.

Neste texto, vou falar um pouco sobre as mudanças nos hábitos alimentares durante a pandemia e apresentar pesquisas que mostram esses efeitos. Boa leitura!

A pandemia e os hábitos alimentares

Uma pesquisa realizada pela Hypeness, em parceria com a MindMiners, analisou como a pandemia mudou a relação das pessoas com a cozinha e com a comida. O estudo ouviu internautas de todas as classes sociais, de Norte a Sul do Brasil.

Os resultados apontaram que antes do período de isolamento social, 77% dos entrevistados já costumavam cozinhar em casa, sendo que 34% cozinhavam todos os dias e 24% cozinhavam entre três a quatro dias por semana. Durante a pandemia do coronavírus, 42% passaram a cozinhar mais vezes em casa.

A pesquisa mostrou ainda que o isolamento mudou a relação com os alimentos, visto que 31% das pessoas passaram a comprar alimentos que não tinham costume de consumir antes da pandemia.

Hábitos alimentares e as classes sociais

Um acompanhamento, que está sendo realizado pelo Núcleo de Pesquisas epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, mostrou um dado importante. Segundo o estudo, as mudanças ocorridas ao longo dos últimos meses reforçaram os hábitos alimentares das classes sociais, evidenciando ainda mais as características delas.

Entre as classes A e B, houve aumento no consumo de frutas e verduras, passando de 40,2% para 44,6% durante a pandemia.

Já entre as classes mais carentes, o que subiu foi a ingestão de alimentos processados e pouco nutritivos. Segundo o estudo, no Nordeste, uma das duas regiões mais pobres do Brasil, o consumo de alimentos industrializados aumentou, passando de 8,8% para 10,9%. Houve elevação também entre as pessoas com baixa escolaridade.

Essa pesquisa, que deve ser concluída dentro de dois anos, busca mostrar um retrato completo das transformações na mesa do brasileiro impostas pelo novo coronavírus. As 10 mil pessoas, que participaram até o momento, foram estudadas por meio de questionários online.

Mudanças nos hábitos alimentares durante a pandemia merecem atenção

A pesquisa da Hypeness em parceria com a MindMiners levantou dados interessantes. Em relação à mudança por tipo de alimento, 30% dos entrevistados diminuíram o consumo de açúcares e doces; 25%, de carnes vermelhas; 36%, de refrigerantes e 35%, de sucos artificiais.

Já o percentual de aumento foi o seguinte: 46% das pessoas ouvidas aumentaram o consumo de açúcares e doces; e 49% de lanches ou sanduíches feitos em casa.

Além disso, 57% das pessoas aumentaram o consumo de verduras e legumes; 57%, de frutas; e 48% de sucos naturais.

Os hábitos alimentares e os cuidados com a saúde

Ter uma alimentação saudável e rica em nutrientes é fundamental para garantir uma boa qualidade de vida. Mas é preciso entender que, muitas vezes, o paciente não consegue seguir uma dieta adequada por estar com outros problemas. E, sim, ele precisa de ajuda.

Há quem opte por um docinho para tentar espantar o estresse do dia a dia e há também quem exagere na quantidade de comida por estar ansioso. O fato é que este momento de pandemia não está sendo fácil e muita gente busca nos alimentos um momento de prazer em meio aos problemas.

Segundo um recorte do público adolescente, feito pela Sociedade Brasileira de Urologia, depois da chegada do coronavírus ao Brasil, o consumo de alimentos calóricos e de baixa qualidade nutritiva aumentou 54%. Dos 267 jovens entrevistados, 67% contou que ingere refrigerantes de um a dois dias ao longo da semana. A ansiedade foi apontada como a principal causa para o aumento do consumo de fast food.

As mudanças nos hábitos alimentares causados pelo isolamento social - e por todas as situações que o cercam - precisam ser vistas com atenção. O trabalho de pesquisadores (como os apresentados neste texto) é muito importante para que seja possível começar a entender e mensurar os impactos da pandemia nos nossos hábitos alimentares.

Vale ressaltar que a busca por um acompanhamento médico ajuda no controle da alimentação e numa melhor qualidade de vida. Por isso, o recomendado é, que ao perceber qualquer alteração negativa na forma de se alimentar, o paciente procure um especialista.


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