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  • dragisele

Obesidade não tem a ver somente com vício em comida


A obesidade é uma doença crônica caracterizada principalmente pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Como o número de pacientes com obesidade tem crescido de forma rápida, a condição tem se tornado um grave problema de saúde pública.


Sua principal causa é a alimentação inadequada ou exagerada. O sedentarismo é o segundo fator que mais contribui para a obesidade, pois quando há baixa atividade energética, ocorre o acúmulo de gordura. Por isso, é tão fundamental fazer atividade física regularmente e manter uma alimentação balanceada.

Além dessas causas que são mais conhecidas, existem os fatores genéticos, em que a pessoa pode herdar a predisposição para obesidade; ter o metabolismo mais lento, o que facilita o acúmulo de gorduras e dificulta o processo de emagrecimento, ou até mesmo ter ganho de peso por conta das oscilações hormonais.

Talvez você já saiba que a relação com a comida pode desencadear uma compulsão alimentar. E a culpa é do sistema de recompensa do cérebro, que pode estimular um ciclo vicioso ao liberar dopamina quando se come algo saboroso.


Esse mecanismo pode levar a pessoa a ter o fenômeno conhecido como “fome hedônica”, ou seja, quando a alimentação é motivada apenas pelo prazer de comer, deixando de lado a sua função essencial que é a de nutrir.


Mas vamos por partes. É fundamental compreender que o excesso de peso nem sempre está relacionado à fome hedônica. Portanto, não dá para definir que todo paciente obeso é viciado em comer, tudo bem?


Um estudo realizado por neurocientistas portugueses reuniu inicialmente 123 pessoas obesas, com IMC acima de 30. Depois, repetiu o experimento com um grupo de 278 pessoas. E, por último, o estudo foi repetido com 865 pessoas.


Para avaliar os participantes, a amostra foi representativa e utilizou uma escala chamada “O Poder da Fome”, que teve como objetivo calcular (de 1 a 5) o quanto um paciente obeso está propenso a comer em excesso por prazer.


No primeiro momento, foi observado que, quanto mais alta era a nota de fome hedônica, maior era a chance do participante ser obeso. Entretanto, o contrário não era verídico.


O estudo mostra que comer por prazer realmente aumenta o risco de obesidade. Acontece que a maioria dos participantes obesos não apresentavam essa fome hedônica: menos de 10% dos casos de obesidade foram motivados pelo que chamamos de “vício em comer”. A idade, o gênero e até o nível educacional são alguns outros fatores que explicam cerca de 6% dos casos.


Muitos participantes cuja vontade de comer por prazer era reduzida não justificava o valor de IMC alto. Por meio desse estudo, é possível compreender que a recompensa vinda da comida não é a causa principal da obesidade. Para os pesquisadores, ainda é preciso achar os outros 84% de fatores de risco.


Por outro lado, é correto afirmar que a obesidade só está presente quando a ingestão de calorias é maior do que a quantidade gasta pelo corpo. É importante pensar que fatores genéticos, psicológicos e culturais também devem ser considerados nesta equação.


Apesar do estilo de vida ser um fator importante no tratamento da obesidade, deve-se considerar que, por ser uma doença multifatorial, a obesidade será tratada de maneira individualizada, pois é necessário avaliar de forma precisa os fatores que estão promovendo o quadro de aumento de peso.


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