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  • dragisele

Como o isolamento social pode causar ou agravar transtornos alimentares?


Manter o acompanhamento médico nunca foi uma necessidade tão grande. Afinal, neste momento de pandemia e distanciamento social, as chances de agravamento e até surgimento de transtornos alimentares são muito maiores.⠀


Para se ter uma ideia, um estudo recente do Hospital Universitário de Barcelona, na Espanha, mostrou que 38% dos pacientes relataram piora dos seus sintomas alimentares durante o confinamento. E 56% relataram aumento da ansiedade e do estresse, elevando o risco de “beliscar” alimentos o dia todo.


E a minha maior preocupação é que, geralmente, os portadores de transtornos alimentares já apresentam sinais leves dos distúrbios ao longo dos anos. Porém, uma situação como essa, de maior estresse emocional, pode ser o fator agravante e até mesmo desencadeante de sintomas mais graves. E aí, as manifestações variam e vão desde comer mais vezes ao longo do dia (a famosa "beliscadinha") até a imposição de uma restrição calórica severa e radical.


A influência das emoções


E ninguém está imune a esse risco, principalmente na atual conjuntura. Afinal, o medo e a ansiedade tendem a aumentar a sensação de não se estar no controle. A ameaça de sofrer com o contágio do vírus e a preocupação sobre o que poderia acontecer com os entes queridos aumentam os hormônios do estresse.


Todos esses fatores somados causam grandes impactos, afetando a bioquímica do organismo. E aí, por instinto, o ser humano logo procura soluções para todo este quadro de sofrimento. E como o alimento traz um prazer e um bem-estar imediato e momentâneo sem igual, a grande maioria encontra na comida o seu alento.


É preciso lembrar que criar uma relação de afeto com a comida é normal e saudável. E, como estamos vivendo um momento emocionalmente difícil, é essencial não tentar fazer restrições extremamente rígidas. O problema é quando a única forma de lidar com sentimentos é comendo.


O transtorno do momento


E, infelizmente, isso tem acontecido muito e meus atendimentos online têm provado isso. O transtorno mais comum que tenho identificado em vários pacientes atualmente é a compulsão alimentar periódica. São pessoas que apresentam episódios de compulsão alimentar mas que não utilizam métodos purgativos para eliminar os alimentos ingeridos, embora continuem tendo uma grande preocupação com o peso e a forma corporal.


Nesse caso, a pessoa tende a perder o controle durante os frequentes episódios de compulsão e só consegue parar de comer quando se sente fisicamente desconfortável.


As causas na prática


Quando vamos conversando sobre as possíveis causas desse comportamento, muitos relatos são praticamente iguais: diante desse turbilhão de sensações, a cozinha ou um daqueles famosos aplicativos de comida acabam sendo refúgio. E na hora de decidir sobre o que comer, a escolha é sempre feita procurando aliviar a tensão daquele momento, com pedidos nada saudáveis.


E isso é agravado por todo o contexto de distanciamento social e de restrições de isolamento, que afetam a todos com:


- Menor possibilidade de se exercitar, o que amplia o medo do ganho de peso ou favorece o acúmulo de gordura corporal;


- Redução do relacionamento com outras pessoas ou, na contramão, maior tensão devido ao convívio com as pessoas da casa;


- Estocagem de alimentos não perecíveis, o que aumenta a exposição a bolachas, salgadinhos, pratos congelados, refrigerantes e afins, sendo um potencial gatilho para episódios de compulsão;


- E a solidão como fator para os assaltos à geladeira e exageros alimentares.


Por isso, reafirmo: ninguém está imune a esse risco. Portanto, se você perceber algum sinal de exagero ou descontrole, busque ajuda profissional o quanto antes. Isso é fundamental para que possíveis transtornos não se agravem.


Além disso, encontre atividades que te deem prazer e que ajudem no controle da tensão! Vale meditação, yoga, exercícios físicos, conversas online com amigos e entes queridos, ler um bom livro, ouvir aquela música que você adora...

E, se precisar, conta comigo! É só agendar seu horário no (31) 3646-0416 ou pelo WhatsApp no (31) 99780-1872. Vamos vencer essa juntos!



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