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  • dragisele

Gene da obesidade: tem como fugir da genética?

Hoje, 11 de outubro, é o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. A data integra uma campanha mundial que tem como tema o “Fim do Estigma do Peso”. Muitos pacientes relatam ter dificuldade de emagrecer devido a fatores genéticos, então, no post de hoje, vou falar um pouco sobre este assunto aqui no blog.

A obesidade é uma doença causada pela genética, biologia e também pela maneira como vivemos. É importante lembrar que as pessoas que sofrem com excesso de peso não devem ser culpadas por isso, afinal, muitos possuem características que favorecem o acúmulo de gordura.

Cientistas descobriram recentemente que o peso corporal muda de maneira diferente para cada pessoa, de acordo com as suas características genéticas, embora elas comam a mesma quantidade de calorias. Vale lembrar que a obesidade não é só produto da genética. Envolve também desigualdades, hábitos alimentares, psicologia e questões ambientais.

O fácil acesso à comidas ricas em gorduras e com muito açúcar, que geralmente são baratas e convenientes, reforça a ideia de que tanto os componentes genéticos quanto psicológicos da obesidade podem ser amplificados por meio do comportamento alimentar.

Há muitas pessoas que são biologicamente projetadas para conservar mais energia, ou seja, para acumular e armazenar gordura. Isso acontece quando sinais do hipotálamo, que é a parte do cérebro que controla o apetite, bombardeia para a pessoa sensações de fome e desejo alimentar que acabam sendo difíceis de combater. Consequentemente, mesmo que o paciente consiga perder vários quilos ao seguir uma dieta, o corpo tem memória do peso anterior e se empenha para voltar a ele.

Pesquisas usando a base de dados do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), mostram que a chance anual de uma pessoa com obesidade mórbida atingir o peso normal varia de 1 em 700 a 1 em mil.

Talvez você esteja se perguntando: “mas doutora, qual seria o melhor tratamento para a obesidade?”

Atualmente, há estudos em andamento para a produção de medicamentos para pessoas que têm mutação no receptor MC4, que causa obesidade. Uma nova substância recentemente aprovada nos Estados Unidos pode alcançar de 15 a 17% de perda de peso. No futuro, estima-se que surjam remédios que possam resultar em perda de 20 a 25%, que é o mesmo percentual alcançado com cirurgia bariátrica.

Não podemos esquecer que a mudança no estilo de vida, incluindo uma reeducação alimentar e a prática regular de atividade física, é a base do tratamento da obesidade.

Sabemos que muitos programas de perda de peso para pessoas com obesidade incentivam a “se movimentar mais e comer menos”, sendo que essa é a prevenção para muitos casos, mas não a cura, afinal, a obesidade é uma doença complexa, influenciada por diferentes fatores.

Além disso, é necessário uma mudança significativa na forma como esta condição é vista pela sociedade. A cada ano que tentamos controlar a epidemia de obesidade, ela aumenta e fica exponencialmente pior. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis em cada dez brasileiros estão acima do peso. A parcela de adultos com obesidade é de 26,8%, o dobro da taxa registrada em 2003.


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