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  • dragisele

Dispepsia funcional: você já ouviu falar?


Se não, não tem problema: eu explico! Este é o nome dado a um quadro de dor ou desconforto estomacal crônico, que não apresenta nenhuma alteração que possa justificar os sintomas. Muitas vezes, a condição é chamada de indigestão ou má digestão crônica, dispepsia nervosa ou dispepsia não ulcerosa.


Entre os principais sintomas estão:


  • Plenitude pós-prandial (sensação de ter comido um banquete mesmo depois de ingerir pouca comida);


  • Saciedade precoce (mal começa a refeição e já surge uma sensação de peso abdominal e satisfação incompatível com o volume ingerido);


  • Dor ou queimação epigástrica (a famosa dor na “boca do estômago);


  • Náuseas, vômitos, arrotos, flatulência, “queimação” ou azia.


Causas


É uma condição comum que tende a afetar mais mulheres do que os homens, com mais frequência em pessoas de meia-idade. As causas ainda não são totalmente esclarecidas, mas sabemos que pessoas que têm infecção por Helicobacter pylori (bactéria que causa úlcera do estômago) podem ser mais propensas aos sintomas, mesmo que não haja outros sinais de infecção.


Outro fator importante é a genética. Em alguns casos, a pessoa nasce com predisposição para desenvolver a doença e apresenta alteração e lentidão do esvaziamento gastroduodenal, hipersensibilidade das vísceras e até alterações da microbiota intestinal.


Outros 4 fatores que costumam estar relacionados à existência do quadro são:


  • Problemas motores nos músculos do estômago, que provocam lentificação do processo de esvaziamento gástrico;


  • Distúrbios psicológicos, principalmente depressão e ansiedade;


  • O estômago se distende sempre que comemos. Algumas pessoas, porém, são mais sensíveis a esse estiramento e sentem dor ou desconforto estomacal após as refeições;


  • Presença da bactéria H.pylori, que pode provocar dispepsia mesmo não havendo sinais de gastrite ou úlcera gástrica.


Tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e refrigerantes e o uso de anti-inflamatórios também fazem parte da lista, assim como eventos estressantes que também podem ser o gatilho para esse tipo de dor.


Diagnóstico

Entre as pessoas que apresentam dispepsia, apenas 25% acabam obtendo um diagnóstico que justifique os sintomas. Nos 75% restantes, nada é encontrado mesmo após investigação com análises clínicas, exames de imagem e exames endoscópicos. Esses casos de dispepsia sem causa aparente é que acabam sendo classificados como dispepsia funcional.


Para o diagnóstico correto, recorremos ao método de exclusão. A primeira coisa a se considerar é que os sintomas precisam estar presentes nos últimos três meses e devem ter tido início há, pelo menos, 6 meses.


Por meio da avaliação dos sintomas, do exame clínico, de exames de sangue, teste de respiração para o Helicobacter pylori e endoscopia, conseguimos excluir outras causas possíveis para os sintomas, como gastrites graves, lesões malignas ou pré-malignas, doença do refluxo e a presença da bactéria Helicobacter pylori.


Tratamento


Como a causa ainda não é clara, pode ser difícil tratar a dispepsia funcional, mas muita gente aprende a controlar seus sintomas. Geralmente, o tratamento envolve uma abordagem multifatorial com:


  • Adequações na dieta: restrição de certos alimentos como leite, álcool, cafeína, refrigerantes, alimentos gordurosos, entre outros, fracionamento das refeições, perda de peso e não se deitar nas primeiras duas horas após a refeição.


  • Apoio psicológico/psicoterapia: para ajudar o paciente a lidar com questões emocionais e a se sentir melhor, tanto física como mentalmente.


  • Medicamentos: para aliviar o sintoma predominante. A estratégia vai depender da natureza e intensidade dos sintomas e do grau de comprometimento funcional.


  • Adoção de hábitos saudáveis: não beber álcool em excesso, não fumar e praticar atividade física regular.


Como se trata de uma doença crônica, a dispepsia funcional pode ser controlada, mas não curada. As crises, embora às vezes esporádicas, recorrem ao longo da vida do paciente, tornando de suma importância a avaliação e, principalmente, o acompanhamento com um médico especialista.



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