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Como micróbios intestinais podem causar distúrbios cerebrais


Cientistas encontraram evidências de que o microbioma intestinal pode afetar a saúde do cérebro. A descoberta pode ser um facilitador para o tratamento de diversas doenças.

Em 2006, a neurocientista Jane Foster e sua equipe, da Universidade McMaster em Toronto, no Canadá, estavam trabalhando com dois grupos de camundongos: um com uma seleção saudável de microrganismos nas entranhas e outro sem microbioma. Eles notaram que os ratos sem bactérias intestinais pareciam menos ansiosos do que os saudáveis.

Quando colocados em um labirinto com alguns caminhos abertos e alguns com paredes, eles preferiram os caminhos expostos. A bactéria no intestino parecia estar influenciando seu cérebro e comportamento.

Foi aí que Foster redigiu o estudo e o enviou para publicação. Depois de várias rejeições, ela recebeu uma carta de aceitação.

Outros neurocientistas também ingressaram em pesquisas que ligavam bactérias intestinais ao cérebro e encontraram dificuldade de aceitação. Esse foi o caso de John Cryan, da University College Cork, na Irlanda.

A expansão e aceitação das pesquisas

Após todas essas dificuldades, a ligação entre bactérias intestinais e doenças cerebrais se tornou um assunto bem propagado. E, hoje em dia, é tema de reuniões e conferências sobre neurociência. A conexão intestino/cérebro já foi tema de diversas pesquisas e milhares de publicações na última década. Todo esse estudo revelou que as trilhões de bactérias no intestino podem ter efeitos profundos no cérebro e podem estar ligados a uma série de distúrbios.

Vale ressaltar que muito se tem investido para explorar e provar cada vez mais que existe essa conexão. Somente financiadores do Instituto Nacional de Saúde dos EUA estão investindo milhões de dólares nessas pesquisas.

Os avanços das pesquisas que relacionam bactérias intestinais e doenças cerebrais

As pesquisas sobre o tema seguem avançando e os investimentos possibilitam que esses avanços sejam cada vez mais promissores. Segundo a Maureen O'Malley, uma filósofa da Universidade de Sydney, na Austrália, alguns pesquisadores do cérebro e intestino afirmam ou sugerem relações causais quando muitos estudos mostram apenas correlações, e alguns instáveis.

Algumas equipes de pesquisas começaram a estudar e buscar identificar micróbios específicos, mapeando as vias complexas e, às vezes, surpreendentes que os conectam ao cérebro. "Estudos em ratos - e trabalhos preliminares em humanos - sugerem que os micróbios podem desencadear ou alterar o curso de condições como a doença de Parkinson, transtorno do espectro do autismo e muito mais".

Estudos que podem ajudar no tratamento de doenças cerebrais

Pesquisadores já estão se dedicando a estudos de terapias destinadas a ajustar o microbioma. Isso pode ajudar a prevenir ou tratar doenças ligadas ao cérebro. Pesquisas já estão em fase de testes clínicos em humanos.

Ainda é preciso que haja muitos estudos e pesquisas para comprovar outras ligações e como elas podem ajudar a tratar doenças cerebrais, mas alguns pesquisadores já obtiveram resultados satisfatórios.

"Ainda é cedo, mas a perspectiva de novas terapias para algumas dessas doenças cerebrais intratáveis ​​é empolgante", afirmou Sarkis Mazmanian, microbiologista do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena.


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