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  • dragisele

Como funciona a Programação Metabólica?





Sabe aquela história de "estou grávida e posso comer por dois"? Ou, então, "estou grávida e posso comer o que eu quiser que depois corro atrás"? Então. Hoje eu vou explicar por que isso é um terrível engano!


É muito mais importante focar em qualidade do que em quantidade. Para isso, lembre-se: você estará compartilhando com o bebê todos os seus hábitos alimentares!


Veja bem, como médica, entendo perfeitamente que as futuras mamães tenham mais fome e que sintam vontades acentuadas de comer determinados alimentos. Isso é natural e também aconteceu comigo!


Mas do ponto de vista nutricional, a gravidez é o período mais importante da vida de uma mulher para se alimentar adequadamente, uma vez que ela está formando uma vida que carregará influências desse período para sempre!


E é nesse ponto que eu quero chegar: a programação metabólica. Chamamos assim a capacidade do nutriente modular geneticamente o bebê desde a gestação até os dois anos de vida, que é o período conhecido como os 1000 primeiros dias.


A importância da programação metabólica


Apresentado o conceito, vem a sustentação: nossa alimentação, nosso estilo de vida e o excesso de gordura corporal podem influenciar diretamente na expressão genética dos bebês.


O que acontece na barriga da mãe durante os nove meses e a qualidade da lactação têm repercussões profundas na forma como uma criança se desenvolve e isso pode ficar registrado no organismo. Na vida adulta, pode modificar o metabolismo dos filhos e das filhas e também influenciar os riscos prováveis de doenças crônicas.


Um exemplo bem fácil para entender a aplicação desse conceito é quando há consumo de drogas durante a gestação. Todos nós sabemos que isso pode ocasionar uma série de problemas no feto e/ou repercussões tardias sobre a saúde daquela criança, como deficiência de aprendizado ou até mesmo enfermidades.


Formando uma criança saudável


Por isso, desde o início da gestação, a maneira como a mãe conduz sua gravidez já pode dizer muito sobre a saúde do bebê. Afinal, apenas 20% dos nossos genes têm relação com fatores hereditários. Cerca de 80% são influenciados por questões externas, como a nutrição, o uso de medicamentos, infecções adquiridas e a prática ou não de exercícios físicos.


Com a gestação e lactação saudáveis, é possível silenciar diversos genes, inclusive os cancerígenos. Mas para isso, é essencial que os cuidados sejam intensificados nos primeiros mil dias, já que, depois da idade de dois anos, não é mais possível trabalhar na programação da célula da criança.


Os piores influentes genéticos são: sedentarismo, má alimentação, doenças crônicas, álcool e cigarro.


Já os melhores são: atividade física regular, alimentação saudável e equilibrada, boa hidratação, abandono de álcool/ cigarro, controle de peso, manutenção de pressão arterial até 120/80, manutenção da normoglicemia (equilíbrio entre a insulina e o glucagon que estabiliza a quantidade de glicose no organismo) e pouco stress.


Acompanhamento nutricional


Não pode faltar de jeito nenhum! Além de considerar o estado nutricional prévio e atual da gestante, um médico especialista avalia tudo o que já disse antes: hábitos alimentares, estilo de vida, além de sinais e sintomas, exames laboratoriais etc.


Com base nessas informações, é possível elaborar um plano alimentar, que é readequado sempre que necessário, de acordo com as alterações e queixas apresentadas pela gestante ao longo do período. Outro fator observado é a Avaliação Antropométrica (peso, altura e medidas corporais), realizada em todas as consultas.


O que não pode faltar no prato


Uma boa variedade de frutas, vegetais e hortaliças, sobretudo verde-escuras pela alta concentração de cálcio, ferro, magnésio e ácido fólico. A presença do feijão também é importante, pois é mais uma fonte ferro e ácido fólico.


As fontes de proteína, especialmente as de origem animal como a carne bovina, o frango e o peixe, são fundamentais para o desenvolvimento e o crescimento do bebê.


Os carboidratos, preferencialmente os integrais como pães, cereais, arroz e tubérculos (batata doce, mandioca, etc), devem estar presentes em todas as refeições para manter os níveis de energia adequados ao longo do dia. Mas claro, de forma moderada para não favorecer o ganho de peso excessivo e levar ao desenvolvimento, por exemplo, de diabetes gestacional.


Além disso:


• Não permaneça mais do que três horas sem se alimentar;


• Mantenha uma boa hidratação ao longo do dia;


• Evite alimentos crus ou mal passados;


•Higienize bem frutas, verduras e hortaliças e , se possível, dê preferência aos alimentos orgânicos;


• Evite consumir vísceras e miúdos;


• Reduza o consumo de alimentos industrializados;


• Controle o consumo de alimentos que contenham cafeína, como café, chás (preto, mate, verde, branco, vermelho), guaraná em pó, chocolates etc;


• E não consuma “edulcorantes”, que são adoçantes listados nos rótulos de alguns alimentos, a não ser que você seja gestante diabética. Mesmo se for o caso, reduza drasticamente a ingestão desses adoçantes, principalmente os que possuem aspartame.


Caso contrário, uma má programação metabólica pode trazer consequências à criança como:


Hipertensão arterial, alterações no colesterol, doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, depressão e uma maior predisposição a alergias. Outra consequência, mais comum nos dias atuais, é um quadro de excesso de peso na vida adulta em indivíduos que foram gerados em um meio de deficiência nutricional e/ou restrição alimentar.


Portanto, nunca se esqueça que, se você é o que você come, seu filho é ainda mais!







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