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  • dragisele

Alimentação de baixa caloria provoca alterações benéficas no DNA de mulheres obesas


Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e da Espanha apontou um fato interessante: dieta com restrição de calorias pode induzir modificações bioquímicas no DNA de mulheres obesas. Isso reverteria a propensão a certos tipos de câncer, como o mama e o colorretal.

Neste texto, vou te contar mais sobre o estudo e também apresentar alguns dados da Obesidade entre as mulheres no Brasil. Boa leitura!

A Obesidade entre as mulheres no Brasil

Os números de Obesidade e excesso de peso entre as mulheres no Brasil é maior que entre os homens. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), parceria entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta do Brasil estava com sobrepeso, em 2019. Esse número equivale a cerca de 96 milhões de pessoas, sendo que 62,6% eram mulheres.

A PNS apontou ainda que, no mesmo período, mais de um quarto da população adulta brasileira era obesa. Isso significa que 41,2 milhões de pessoas estavam dentro dessa condição médica, ou seja, 25,9% das pessoas acima de 18 anos. Desse número, 25 milhões eram mulheres e 16,2 milhões eram homens.

Os dados são bastante preocupantes, tendo em vista que a obesidade pode causar diversas doenças, como a diabetes, hipertensão arterial (HA), problemas ortopédicos, cânceres e infarto do miocárdio, entre outras.

Alimentação de baixa caloria no combate à Obesidade

A alimentação, aliada à práticas esportivas e ao acompanhamento médico, ainda é a principal forma de combater a obesidade.

O problema desafia pesquisadores de todo o mundo, que seguem estudando essa condição médica.

O estudo que citei acima e que foi publicado no European Journal of Clinical Nutrition é um exemplo das inúmeras pesquisas na área e faz parte de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que tem o objetivo de avaliar o padrão de metilação do DNA em pacientes obesas submetidas a intervenções terapêuticas, como cirurgia bariátrica e cirurgia bariátrica seguida de exercícios físicos ou dieta.

Como foi realizado o estudo

Foram avaliadas 11 voluntárias com idades entre 21 e 50 anos. Todas com obesidade grave. As amostras de sangue das pacientes foram coletadas antes e depois de uma intervenção dietética de seis semanas.


Durante todo esse período, elas ficaram internadas na Unidade Metabólica do Hospital das Clínicas da FMRP-USP, onde receberam uma dieta específica: de 1.800 quilocalorias no primeiro dia; 1.500 quilocalorias no segundo; e 1.200 no restante dos dias.


As voluntárias foram acompanhadas por uma equipe de profissionais de saúde para garantir que a dieta fosse seguida, e estimuladas a não alterarem os níveis diários de atividade física que mantinham antes da intervenção.

Redução dos riscos de alguns tipos de câncer

Na comparação entre as amostras do antes e do depois da intervenção, os resultados apontaram para alterações em 16.064 regiões do genoma, localizadas em 9.236 genes.

Os níveis de metilação do DNA foram reduzidos em cerca de 16% na maior parte das regiões analisadas. E os genes, como SULF2, GAL e SNORD2, envolvidos em alguns tipos de tumores estavam 35% menos metilados após a intervenção.


“Encontramos muitos genes envolvidos na sobrevivência da célula, os chamados pró-oncogenes, relacionados ao desenvolvimento de câncer. Eles estavam menos metilados nos obesos, o que significa que têm uma expressão maior, favorecendo a formação de tumores. A modificação ocorrida após a intervenção dietética sugere a diminuição dos riscos da ocorrência de câncer nessas pessoas”, explica Carolina Nicoletti, professora colaboradora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), uma das autoras do trabalho.


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